- Oi, meu nome é Joana. Estou aqui para contar o que aconteceu comigo. Meu filho, também, é igual aos filhos de vocês. No princípio, estranhei. Depois, ele passou no vestibular. Aprovado em Artes Cênicas. John tem sido o único da família que entrou para uma universidade. E, entrou na mais disputada do País. Foi aprovado na Universidade de São Paulo. Lá em casa, o pai quando soube que meu filho é igual ao de vocês, foi no quarto, arrumou as malas e disse que estava voltando para sua cidade de infância. Queria apagar tudo que viveu até aquele instante. Não tinha criado o filho dele para ser aquilo. Nos deixou. Pior, abandonou meu filho. Não quis mais saber dele. Isso já tá com uns cinco anos ou seis, nem lembro bem.
- E aí, o que você fez? (perguntou uma mãe recém chegada no salão).
- Peguei meu filho, abracei e disse que já sabia. Ele sempre demonstrou ser isso. Nunca me enganei. Olhava para ele e enxergava o futuro dele. Isso nunca foi uma decepção. Naquele instante não enxergava como sorte, nem como maldição. Meu filho não podia ser uma maldição. Jamais. Só estava um pouco confusa com minhas certezas!
- E... ( indagou uma mãe curiosa )
- E aí, ontem, deixei meu filho no aeroporto. Ele pegou uma conexão até Madrid e de lá seguirá para Paris. Foi aprovado em doutorado. Logo, logo, o filho abandonado pelo pai e o que muitos olham e repudia, será doutor: Meu DOUTOR!
- e...
- E que agora preciso ir. Deixei o feijão fervendo na panela. Ah, levantem dessas cadeiras, e vão abraçar os filhos de vocês. Ainda existe tempo. Eles são todos lindos e só querem viver da arte.
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