terça-feira, 22 de março de 2016

mataram minha irmã de classe: Rogério Santana, conhecida como Rebeca, foi torturada na ladeira da Barra após um dia cansativo na casa duma neurocirurgiã do Hospital Aliança.
dois homens de terno e gravata, puxaram os fios dourados 
dos cabelos de Rebeca, colocou-a entre o caule centenário 
duma árvore e a arrancaram da vida.

ralaram a cara da minha irmã de classe no asfalto, 
chamaram de endemoniada e que estava mandando-a 
para o lugar certo: morar com o sete pele. 
Rebeca morreu de matar.

o enterro é agora, o enterro de Rebeca Santana é hoje. todo dia com a mesma desculpa, Rebeca morre. Hoje, ela morreu na ladeira da Barra, amanhã deve ser no Curuzu, depois, quem sabe, no Campo Grande. Sua morte dependerá muito de quem a matará.
matam Rebeca porque ela é Rogério na certidão e na hora que
o doutor médico olhou para mãe e disse, sorrindo: - é um menino macho, mãe, parabéns!

e quem a olha pelas ruas, não suporta vê-la cantando e feliz, apesar de saber que todo dia sua morte chega agressivamente, 
com tapas, pauladas, palavras e mais; ela não desiste nunca da vida, pois Rebeca é forte e as outras, também.

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