na minha última noite de sono, sonhei que Caetano e Gil faziam o show da turnê deles, exclusivamente para mim. era uma delícia. mas, de um instante para outro, não eram mais eles dois e seus violões, para me agradar; era minha radiola deixando escapar o encanto, e a música vinha duma rádio dessas que tocam música popular brasileira. na cama, sentia eles dois me invadindo com suas letras de músicas, seus eclipses ocultos, seus homens, seus com fé e a pé, com seus linhos. mesmo escutando-os numa radiola velha, me senti completamente privilegiado, eram os dois, as duas figuras da música brasileira que mais me agradam, que mais me encantam e seduzem. era um sonho e dos melhores e por ser bom, ele fora interrompido. um novo sonho se jogou por cima, como se fosse um pano cobrindo o ouro, escondendo o diamante. no novo sonho, um galo negro subiu na minha cama, ficava bem na quina, e eu ainda querendo permanecer com caetano e gil, batia valente as pernas para tanger o galo preto que invadia meu sonho baiano e doce bárbaro. de repente, o galo desapareceu e surgiu uma peça de lego. a peça, andava debaixo do lençol e corria me fazendo cócegas. para tentar escapar do pesadelo, acordei rindo, quase mijando, ainda sentindo a peça de lego me fazendo cócegas. quando arregalei os olhos, havia um galo negro na esquina da minha cama. na verdade, ele ainda permanece nela. e eu tenho medo de voltar para dormir e ele me picar ou morder. galo pica ou morde?
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