segunda-feira, 24 de agosto de 2015

deu um estalo.
botou a mão no peito e disse:
- lá vem minha morte. corre, chama alguém.

a formigada que trabalhava na construção 
do formigueiro tomou um susto 
com o tombo do corpo do dono no chão.

durinho e sangrando pelas ventas 
nunca mais vai voltar a viver. 

no enterro, flores e coroas, para dizer adeus.
havia um córrego salgado correndo em meio mundo
de gente, na manhã de junho de mil novecentos e treze.

depois de colocado no buraco e tapar com areia, arenoso, 
cimento e brita, e, amassado com colher de pedreiro e força
de um macho forte, moreno, o coveiro terminou o serviço, 
e, o pedaço de gente que veio ao mundo nuelo, se acabou
dentro de um paletó, desenhado por um alfaiate francês, 
que veio para o rio de janeiro, num navio cinco estrelas,
pole dance, cabarés e mulheres de vagina flácida e cu
despregado, de tanto fazer amor e sexo, durante a viagem.

nunca mais na vila, outro estalo foi tão profundo
como o do josé bonifácio mendonça,
cavalheiro de guerra e moço bom para casar 
e ter dezoito filhos, setenta netos e vinte e sete bisnetos.

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