hoje me ajudaram a carregar minhas compras. foi pela manhã numa feirinha perto de casa. comprei ingredientes para fazer uma sopa e cozinhar o feijão com prego. paguei noventa e cinco reais entre legumes, verduras e frutas. o moço da quitanda disse que os preços estavam mais elevados por causa da crise econômica. contei para ele que, o pé de abóbora, a bananeira e muito menos o pé de pimenta malagueta, crescem mais ou menos, por causa da crise. ele quis se justificar, mas lhe desejei bom dia e deixei o troco para ajudá-lo com à crise. os sacos estavam muito pesados, eram em setes; o da banana parecia rasgar. andei por cinco metros em malabarismo com cú no ponto para que não rasgasse. parei na sinaleira para atravessar, dois minutos depois, o sinal fechou e um rapaz bem magro, branco e de cabelo pintado de vermelho, correu e tomou cinco dos sacos das minhas mãos. assustado com a situação, disse-lhe "não precisa, querido". mas, logo, meu orgulho cessou e o rapazinho foi me seguiu até o nono andar do meu apartamento. chegamos, entramos, ele pôs os sacos em cima da pia e disse "já estou indo, tia!" e desejou "bom dia, para a senhora". do quarto, respondi, "espera aí". quando voltei, o magrelo já não estava e as moedas que acabara de catar no cinzeiro,para retribuí-lo, ficaram espalhadas por longos dias em cima da mesa. pelo visto, o garotinho, não estava vivendo à crise econômica que, o hortifrutigranjeiro estava sofrendo junto com país dele.
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