sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Bom dia, pessoal. 
Meu nome é fulano. 

Pessoal, estou aqui, humildemente vendendo meus doces. Pessoal, hoje é meu segundo dia vendendo nos ônibus. Acontece pessoal que, sou funcionário da construção civil,  mas, com a crise, fui demitido. 

Em casa, tenho filho e uma mulher para cuidar, levar o alimento com honestidade, e dignidade. 

Pessoal, estou passando esses pacotinhos, aceite-os, por favor! 

Em cada um, contém doces e tal.  - É sem compromisso!!!. Se vocês não puderem comprar, peço para Deus abençoar vocês, para que na próxima vez, tenham como colaborar. Quem não tiver os dois reais, para comprar o pacotinho de doces, mas que, mesmo assim, quiser me ajudar com alguma moedinha, ficarei muito grato. E, os amigos da construção civil que me reconhecerem, por favor, me ajudem. Inclusive, ontem, um colega me reconheceu no ônibus e me deu cinquenta reais. Mas, também, aceito qualquer moedinha. O importante é que seja de coração!

Ah, pessoal, meu pequeno (o filho) ficou em casa.  Ele queria vim comigo. Aí, me disse assim:

- OH, pai, deixa eu ir com você para te ajudar. 

Eu disse para ele:

Filho, você vai para Escola. Papai vai trabalhar. Vou ganhar o pão enquanto você estuda, certo? Eu trabalho. Você precisa estudar para ser um Homem estudado, ter uma profissão digna. Você vai ser o meu Doutor!

Não convencido, ele me disse:

- Então, papai, me deixe pelo menos grampear as embalagens, aí você conta para o pessoal que foi eu quem grampeou. 

Então, disse:

- Tá bom. Mas vou ficar do seu lado, para você não se ferir.

Concordando, ele me disse:

- Certo, papai.

Então, pessoal, tá vendo esse saquinho grampeado aí, foi meu filho quem grampeou. Ah, ele mandou dizer para vocês que, ''Deus vai abençoar cada um de vocês. E muito obrigado por ajudar ao meu pai".

****

Enquanto o mais novo vendedor ambulante da cidade da Bahia vendia seus doces e contava do seu filho, fechei  cem anos de solidão e respirei fundo. Nesse tempo, fiquei parado escutando tudo e imaginando a cara de felicidade do menino grampeando embalagem por embalagem, tomando cuidado para deixar todas iguais. 

In: Transol 1386

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